E O Gigante Acordou...
E O Gigante Acordou...

meu partido é meu país

               Eu, minha família, meus amigos, meus vizinhos, meu estado, meu país, o mundo, estamos acompanhando, nem que seja pela televisão o movimento que sacode o Brasil e que dá mais ibope que a Copa das Confederações. Como surgiu? Quem conseguiu botar tanta gente na rua? Como um movimento se espalhou tão rápido por todo o país? Nos assusta? Nos envaidece? Nos orgulha? Por que o movimento? Por que agora? Por que tanta força em tão pouco tempo?

               Se você compartilha alguma dessas perguntas, bem-vindo ao clube. É de arrepiar o que está acontecendo, mas surge a pergunta que todos se fazem no silêncio do seu quarto: será que vai durar? Quem já vivenciou outros momentos históricos como este, fica com o temor de ser apenas mais uma fogueira de palha. Mas me vejo acreditando no que está acontecendo. E por quê? Por que este movimento é diferente?

               Quando começou vi tantos jovens na rua e a comparação da imprensa com o movimento dos caras pintadas foi imediata. Era natural a comparação pela presença da garotada. É próprio do jovem querer, e principalmente, acreditar em mudanças. Ele ainda não foi contaminado com as falas de que não tem jeito, nada dá certo, não vale a pena,  nada vai mudar. Ele acredita. É essa força hormonal do jovem que empurra a humanidade pra frente. E vemos isso mais uma vez. É claro que não é só o jovem, é lindo quando aparecem imagens de pais com seus filhos. Pais que um dia acreditaram e agora voltam a sonhar através dos olhos de seus filhos.

               Em uma das reportagens vi, entre tantas faixas, uma que dizia que o Brasil deixou de ser passivo. Esta talvez seja uma excelente explicação para o que está acontecendo. Durante esse tempo todo ficamos reclamando em casa ou na roda de amigos. E só! Colocava-se na mesa dos bares uma discussão onde todos tinham a solução para o país. O problema é que depois de tanto blá, blá, blá, de tudo que se falava que deveria ser feito, pediam  a conta e cada um voltava para sua casa com as coisas exatamente iguais.  Sabíamos o que estava errado, mas não sabíamos de fato como iniciar a mudança. Pois bem, o pontapé inicial foi dado. E que pontapé! É claro que junto vêm os problemas com os que querem tumultuar, por vários motivos. Mas mostramos que adquirimos maturidade para enfrentar esta situação.

               Tenho por princípio considerar que um dos grandes problemas da humanidade e que todos se acham certos. E por esta razão é impossível não haver conflitos em meio a tantas ideologias. E a maior vitória deste movimento, esta sendo colocar o bem do país acima da ideologia político-partidária. Pode ser por desencanto que o povo exigiu a expulsão dos partidos das passeatas, mas se o movimento é um alarme para o governo, mais ainda é para a classe política. Lembrei-me agora de Cazuza, representante de uma geração criada em pleno regime autoritário e que ficou perdida ideologicamente no pós ditadura - a qual me incluo - e que pedia uma ideologia para viver. Já estávamos descrentes desde então, mas agora ao invés de ficarmos parados e esperando a ideologia milagrosa, pegamos a responsabilidade de mudar o país em nossas mãos.  E cada um, a sua maneira, não deve deixar o fogo apagar. Demos uma sacudida na árvore, mas ainda não foi suficiente para que os frutos podres caiam, mas com a insistência eles acabarão se desprendendo e ficaremos livres deles. E que venham os bons frutos!!!!!!

                                                                                   Dinaiá Lopes